Vírus sem trégua
Número de casos confirmados continua subindo. OMS
contabiliza 18 países com registros de contaminação
Da Redação
O vírus HINI — causador da gripe suína ou
influenza A — continua a se propagar pelo planeta em ritmo
preocupante. Na tarde de ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS)
confirmou 898 casos da doença em 18 países. O número de infectados
representa um aumento de 36,4% em relação ao boletim divulgado
anteriormente, que relatava 658 casos em 16 países. Ontem, entraram
na lista de países com pacientes do novo tipo de gripe a Itália e a
Irlanda — ambas com um registro cada.
No México, onde se
acredita que o surto tenha começado, há 506 casos confirmados e 19
mortes. Os Estados Unidos confirmaram 226 casos em 30 estados, com
uma morte de um bebê mexicano que estava no Texas. No Canadá,
somam-se 85 registros. As três nações da América do Norte lideram a
lista de países mai s afetadas pelo vírus.
Nos EUA, o número
de casos confirmados aumentou 41% (no sábado, o total de pacientes
doentes somava 160). De acordo com Anne Schuchat, do Centro de
Controle de Doenças, o vírus provavelmente já está circulando por
todo o país. Os CDCs trabalham com a possibilidade de os casos se
agravarem, resultando em mais mortes.
Enquanto isso no
México, as autoridades de saúde do governo garantem que o pico da
doença já passou (leia matéria abaixo). Um dos maiores problemas, no
entanto, é a falta de informações. Especialistas do país e de outras
partes do mundo tentam elaborar um quadro epidemiológico com base
nas vítimas, além de identificar o ponto de início da transmissão,
mas os resultados demoram a aparecer.
Ainda no continente, a
Colômbia confirmou um caso, mas a OMS não o incluiu no boletim de
ontem. Caso a notificação seja oficializada pela entidade, será a
primeira da América do Sul.
Europa Na Europa, o
Ministério da Saúde da Espanha informou que há 40 infectados pelo
novo vírus, o que torna o país o mais castigado pela doença naquele
continente. Desse total, 38 pessoas haviam visitado o México
recentemente.
O Reino Unido anunciou ontem seu 16º caso de
gripe suína, embora a OMS ainda não o tenha colocado na lista
oficial. Um homem de Ayrshire, na Escócia, teria sido contaminado no
Texas (EUA). Para o secretário de Saúde do Reino Unido, Alan
Johnson, o número de casos deve crescer. “A nossa evi dência com
base em pandemias anteriores é que há duas fases. Inicialmente, há
uma onda mais moderada e depois há uma mais séria, associada ao
outono e inverno”, explicou. “Não temos só que lidar com esse surto
agora, mas também nos preparar para uma segunda fase mais à frente.”
O Ministério da Saúde italiano confirmou o segundo caso de
gripe suína na Itália. Da mesma forma que o da Grã-Bretanmha e o da
Colômbia, a OMS não o havia reconhecido até o fechamento desta
edição. Trata-se de um jovem de 25 anos, vindo do México. O estado
de saúde dele é bom após tratamento com antivirais. O rapaz está
isolado, em Roma.
Ásia A China colocou em
quarentena mais de 70 mexicanos, enquanto Hong Kong isolou 350
pessoas em um hotel. Além disso, o país pediu que mexicanos se
identifiquem ao chegar nos voos e sejam separados de outros
passageiros após a aterrissagem.
Na Coreia do Sul, onde um
caso já foi reconhecido pela OMS, a agência de notícias Yonhap
divulg ou a existência de outro provável infectado. É uma mulher de
63 anos que viajou no mesmo voo em que estava a primeira pessoa
confirmada com a gripe suína no país. Nos aeroportos, câmeras
especiais registram a temperatura dos passageiros provenientes do
exterior.
Não temos só que
lidar com esse surto agora, mas também nos preparar para uma
segunda fase mais à frente  |
Alan Johnson, secretário de Saúde
do Reino Unido
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O
pior passou, garante méxico
A epidemia de gripe suína está em fase de declínio no
México, mas o país não deve baixar a guarda, afirmou o ministro da
Saúde, José Angel Córdova, que anunciou ontem 33 novos casos, mas
com o número de mortes estável em 19. “O pico da epidemia, em nível
nacional, aconteceu entre 23 e 28 de abril”, garantiu o ministro em
entrevista coletiva.
De acordo com Córdova, o governo deve
tomar hoje uma decisão sobre a suspensão das restrições a atividades
públicas. Na última semana, o presidente mexicano pediu aos
compatriotas que — aproveitando o feriado de 1º de Maio — ficassem
em casa. As aulas estão suspensas, os cinemas, teatros e museus
permanecem fechados, as partidas de futebol são jogadas a portas
fechadas, enquanto na capital do país também não funcionam os bares,
restaurantes e centros de diversão.
Questionado a respeito
da afirmação do ministro mexicano, o porta-voz da Organização
Mundial da Saúde, Gregory Hartl, ressaltou que não é o m omento de
relaxar. “Há uma grande possibilidade de o vírus voltar,
especialmente no período frio.”
Embate OMS e
México, aliás, vêm travando um embate acerca da gripe suína. Na
última quinta-feira, o epidemiologista mexicano Miguel Angel Lezana
acusou a organização de ter respondido muito lentamente aos
primeiros sinais da doença. Ele assegurou que, em 16 de abril,
comunicou à Organização Panamericana de Saúde (Opas) uma onda
atípica de gripe e pneumonia no México. Segundo L ezana, a Opas só
informou a OMS dois dias depois, pelo menos. Ontem, o ministro Angel
Córdova também garantiu que avisou as autoridades sanitárias
mundiais imediatamente.
Tanto a Opas quanto a OMS garantem
que foi o México quem demorou a notificar a real extensão do
problema. O diretor para Alerta e Resposta Global da OMS, Michael
Ryan, comentou, no último sábado, que advertiu o governo mexicano
para o surgimento dos “casos atípicos de pneumonia”, mas que este
lhe teria garantido que o problema estava encerrado pois os
pacientes se recuperavam bem. E o porta-voz da Opas, Daniel Epstein,
reiterou que, ainda em 12 de abril, quando detectou-se o primeiro
surto de infecções respiratórias agudas no estado de Veracruz, onde
três pessoas morreram, informou a OMS de imediato.
No último
dia 18, confirmaram-se os primeiros casos na Califórnia (EUA). O
México só reconheceu a epidemia em 23 de abril. “A Opas e a OMS
agiram assim que tiveram informações confiáveis sobre o surt o e
trabalharam juntas para tentar controlar a situação”, assegurou o
funcionário da Opas.
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