
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS)
decide manter o status de pandemia para o vírus A (H1N1), causador da doença
conhecida popularmente como gripe suína, o Brasil fecha os últimos detalhes para
iniciar a vacinação. O estado mais populoso do país, São Paulo, estabeleceu
ontem o número de pessoas que, por atenderem os critérios do Ministério da
Saúde, serão imunizadas: cerca de 13,3 milhões. No Distrito Federal, o
contingente é de 854.645. Dividida em quatro etapas e com público-alvo
definido, a campanha exigirá das secretarias estaduais de saúde uma estratégia
diferente de divulgação. Na capital, as primeiras ações começam no início de
maio, com propaganda de rádio e televisão, banners e cartazes.
“Não se
trata de uma campanha nos moldes tradicionais. Então, para evitar problemas,
procuraremos informar bem às pessoas quanto às regras para se vacinar. Esperamos
contar com a compreensão da população”, destaca Ana Maria Rocha Oliveira, chefe
do Núcleo de Imunização e Rede de Frio da Secretaria de Saúde do DF. Ela destaca
que na primeira fase, de 8 a 19 de março, serão vacinados os profissionais de
saúde que lidam com pacientes e a população indígena. Em seguida, virão as
gestantes, as crianças de seis meses a dois anos e os portadores de doenças
crônicas com menos de 60 anos. Na terceira fase serão imunizadas as pessoas de
20 a 29 anos. Por fim, idosos de 60 anos ou mais com doenças crônicas.
Sobre a população não abrangida nos critérios estabelecidos pelo
Ministério da Saúde — como a faixa etária de 2 a 19 anos, por exemplo, Ana Maria
reafirma uma determinação do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. “Se tiver
doença crônica, receberá a vacina”, diz. Não será exigida da pessoa comprovação
nem de doença nem de gravidez. Porém, a chefe da imunização pede
responsabilidade. “A pessoa que mentir tem que saber que estará tirando a dose
de alguém que vai precisar”, afirma. O DF receberá do governo federal cerca de
940 mil doses, aproximadamente 10% a mais que o cálculo original de demanda. “É
uma margem que nos garante resolver problemas como eventuais perdas ou lotes
incompletos”, afirma.
Ontem, o comitê consultivo da OMS decidiu manter o
H1N1, que já matou cerca de 16 mil pessoas no mundo, em estado de pandemia por
considerar que, embora tenha havido uma queda importante de casos, especialmente
na Europa e na Ásia, é necessário aguardar um pouco mais antes de considerar
reclassificar o vírus. A prova de fogo será o inverno no Hemisfério Sul, que
começa nos próximos meses. “É precipitado concluir que todas as partes do mundo
atingiram um pico de transmissão do vírus H1N1”, diz o documento divulgado pela
OMS.
OMS rebate as críticas
O debate travado pelo comitê da Organização Mundial da Saúde (OMS),
ontem, sobre a revisão do nível de alerta do vírus H1N1 foi interpretado por
parte da comunidade internacional como uma resposta às críticas recebidas, em
função das regras que o órgão vem adotando para declarar emergências. Membros do
Parlamento europeu chegaram a sugerir que a OMS teria mantido, nas últimas
resoluções, o estado de alerta influenciada pela indústria farmacêutica. Como no
Hemisfério Norte a doença não foi tão violenta conforme era esperado, milhares
de doses de vacinas ficaram estocadas. Um dos objetivos da última reunião,
portanto, seria resgatar a confiança na OMS, tirando seus atos do foco de
suspeitas.
Mesmo mantendo o nível de pandemia para o vírus, a OMS
reconhece a possibilidade de já ter havido o pico da doença em alguns países.
Nesses locais, o H1N1 se comportaria atualmente como o vírus da gripe sazonal.
Entretanto, prevaleceu a avaliação de que declarar qualquer modificação no
cenário poderia desestimular os países que vão iniciar a vacinação, como o
Brasil.
Além de contribuir com a imunização, a manutenção do alerta de
pandemia também serve para que os países não afrouxem as medidas de prevenção da
gripe suína. No Distrito Federal, paralelamente à divulgação da campanha de
vacinação, o governo retomará os programas de esclarecimento. A população será
lembrada, em propaganda de rádio e televisão, entre outras mídias, de atitudes
simples para prevenir a doença, bem como lavar as mão e usar lenços na hora de
tossir. “No início de março, voltaremos a alertar sobre essas medidas que as
pessoas acabam esquecendo depois de um tempo”, diz Ana Maria Rocha Oliveira,
chefe do Núcleo de Imunização e Rede de Frio da Secretaria de Saúde do DF. (RM)