Saúde da mulher Prevenção garantida por lei
A partir de amanhã, brasileiras com 40 anos terão acesso
a mamografia no SUS. Exame ajuda a evitar o câncer de mama, que
atinge 800 brasilienses a cada ano. Caminhada cobrará a aplicação da
norma
Erika Klingl
Só em 2009, 800 brasilienses desenvolverão câncer de
mama. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Mastologia. O
número, apesar de alto, não seria um problema se essas mulheres
tivessem acesso a informação e prevenção adequadas. Diagnosticado
precocemente, o câncer de mama pode ser curável em 95% dos casos. No
entanto, essa não é a realidade de Brasília. A doença é a principal
causa de mortes entre pessoas do sexo feminino no DF e nos estados
do Sul e Sudeste. “A prevenção é fundamental porque é ela que
garante um tratamento eficiente”, observa o chefe da Mastologia do
Hospital de Base, César Hummel, que também é presidente regional da
Sociedade Brasileira de Mastologia.
Com os exames adequados,
como a mamografia, um tumor pode ser identificado com 0,5mm. Com
esse taman ho, ainda não é palpável no autoexame — quando a mulher
avalia a presença de qualquer caroço no seio em frente ao espelho.
“O autoexame é importante porque ajuda a mulher a conhecer o próprio
corpo, mas ainda mais importante são os exames hospitalares que
devem ser feitos anualmente”, completa Rachel Cardoso, psicóloga da
Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília.
Até hoje, a
mamografia só era garantida na rede pública de saúde a partir dos 50
anos. Mas, amanhã, entra em vigor a Lei 11.664, que baixa a idade
mínima para 40 anos para atendimento no Sistema Único de Saúde
(SUS). “A lei garante a prevenção, a detecção, o tratamento e
acompanhamento do câncer de mama, no âmbito do SUS. Trata-se de um
avanço que merece ser comemorado”, diz a presidente da Federação
Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
(Femama), Maíra Caleffi.
Pressão Para que
estados, municípios e governo federal cumpram com a nova norma
legal, acontece em B rasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador
amanhã a 1ª Caminhada de Combate ao Câncer de Mama. Na capital, a
concentração será em frente ao Complexo Cultural da República, na
Esplanada, a partir das 9h. Lá será montada uma instalação artística
criada pelo decorador Vic Meirelles, que formará a frase
“Mamografia: agora é lei!”.
“Nós, da Rede, vamos sair para a
caminhada do Hospital de Base para garantir que as pacientes se unam
na luta contra o câncer, doença que não escolhe idade e nem classe
social”, provoca a voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer,
Vera Lúcia Bezerra. Ontem, ela e outras voluntárias estavam com a
campanha “Nunca fui santa, mas sempre me cuidei” na entrada do
ambulatório do hospital. O mutirão continua hoje com a distribuição
de material explicativo sobre a detecção precoce do câncer de mama e
de colo de útero.
“A nova lei também garante o exame
citopatológico de colo uterino a todas as mulheres que já tenham
iniciado sua vida sexual ”, lembra Rachel. O exame ajuda a detectar
o HPV, o papiloma vírus, que quando não tratado pode resultar em
câncer. Foi o que aconteceu com Rita*, 17 anos. Vinda da Bahia, ela
está em tratamento contra a doença no colo do útero desde o fim de
2008. Devido à quimioterapia, não tem mais cabelos, está magra e
assustada. “Quando a gente percebeu que tinha algo errado, já estava
com a doença”, conta a adolescente.
Pesquisa recente do
Ministério da Saúde com 54 mil brasileiras mostrou que q uase 20%
delas não realizaram nem o exame Papanicolau nos últimos três anos.
O índice sobe para 25% no Distrito Federal. A realização de
mamografias também deixa a desejar na capital. A média nas 26
cidades pesquisadas é de 71%, contra 66,3% no DF, nos últimos dois
anos.
*Nome trocado em concordância com o Estatuto
da Criança e do Adolescente.
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