Cresce o risco de
pandemia
Organização Mundial de
Saúde eleva nível de alerta sobre disseminação da doença de 3 para 4
e admite que nenhuma região do Planeta está a salvo. Vírus H1N1
chega à Europa
Rodrigo Craveiro
““Uma pandemia não é considerada inevitável a esta
altura. A situação é fluida e continua a evoluir.” As declarações de
Keiji Fukuda, diretor-geral-assistente interino da Organização
Mundial de Saúde (OMS), dão uma mostra da dimensão da gripe suína.
Segundo ele, nenhuma região do planeta está a salvo. “Em uma época
em que as pessoas viajam de avião por todo o mundo, não há qualquer
região onde o vírus não possa se expandir”, acrescentou. A doença já
matou 149 pessoas no México e atingiu ontem pela primeira vez a
Europa: Espanha e Reino Unido confirmaram três casos. Pelo menos
1.600 mexicanos foram infectados pelo vírus H1N1 e cerca de 400
ainda estão hospitalizados.
Diante da rápida evolução do
mal, especialistas da OMS se reuniram em caráter emergencial e
elevaram o níve l de alerta de pandemia (doença epidêmica amplamente
difundida) da fase 3 para a 4 — duas a menos que a máxima fase da
escala (6) e um indicativo de que o microorganismo tem potencial
significativo de transmissão entre humanos. Fukuda admitiu que a
mudança da escala de alerta é “um passo significativo na direção de
uma pandemia”. O que torna o vírus H1N1 ainda mais assustador é o
fato de ele possuir componentes de vírus clássicos de gripe aviária,
humana e suína, e de jamais ter sido visto em p orcos.
A
ministra da Saúde da Espanha, Trinidad Jiménezes, revelou que um
rapaz de 23 anos que retornou de uma viagem de estudos ao México na
última quarta-feira testou positivo para o H1N1 em um hospital de
Almansa, no sul do país. De acordo com o jornal El Mundo, as
autoridades sanitárias aguardam os resultados dos exames de secreção
do trato respiratório em 26 pessoas isoladas, sob suspeita de terem
contraído o vírus, moradores de 13 regiões.
Por sua vez, o
Reino Unido an unciou a contaminação em dois escoceses que
retornavam de férias no México. “Eu quero reiterar que a ameaça ao
público permanece baixa”, afirmou Nicola Sturgeon, secretária de
Saúde da Escócia, à emissora britânica BBC. Ela explicou que 14
britânicos com sintomas de gripe foram examinados e devem saber se
são portadores nas próximas horas. Como precaução, o comissário de
saúde da União Europeia, Androulla Vassiliou, recomendou “evitar
viagens não essenciais às áreas afetadas, para evitar o pote ncial
risco de disseminar infecção para outras doenças”. Na noite de
ontem, o Departamento de Estado norte-americano também “advertiu os
cidadãos sobre os perigos de se viajar ao México neste momento”. A
Cruz Vermelha criou uma comissão especial para se preparar para o
caso de a epidemia afetar outros países da América Central.
Estamos preocupados
que o vírus possa causar uma nova pandemia de gripe. Não
sabemos ainda em que direção irá, mas nos preocupa saber que,
no México, a maioria dos que morreram era de adultos jovens e
saudáveis  |
Ban Ki-moon, secretário-geral da
Organização das Nações Unidas (ONU)
Ouça:
podcast com o médico André Lomar, presidente da Comissão Científica
do XIV Congresso Panamericano de Infectologia
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A
escala do perigo
Fases de alerta
pandêmico criado pela Organização Mundial de Saúde
FASE 1 Não há registros de nenhum vírus de
gripe circulando entre animais que cause infecções em humanos
FASE 2 Sabe-se que um vírus de gripe animal
causou infecção em humanos e, portanto, é uma ameaça pandêmica
potencial
FASE 3 Vírus de gripe animal ou
humano-animal causa casos esporádicos ou grupo de casos em pessoas,
mas não há transmissão entre humanos, exceto em circunstâncias
específicas
FASE 4* Transmissões significativas
entre humanos capazes de provocar surtos em comunidades. A
capacidade de causar surtos significativios em comunidades marca
“aumento significativo no risco de pandemia”
FASE 5
Infecção humana em larga escala. O mesmo vírus causa surtos
significativos em comunidades em dois ou mais países em uma região.
Enquanto a maioria dos países não será afetada por este nível, a
declaração da fase 5 é um sinal forte de que uma pandemia é iminente
FASE 6 O vírus causa surtos significativos em
comunidades em mais de uma região. Pandemia global a caminho
*Fase atual do surto
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entrevista - masato tashiro
“Infecção é inevitável”
Diretor do Centro de Colaboração para Referência e
Pesquisa em Influenza da Organização Mundial de Saúde (OMS), o
japonês Masato Tashiro disse ao Correio que a ameaça representada
pelo H1N1 é muito grave.
A gripe suína poderia matar
milhares de pessoas em todo o mundo? Sim. O vírus tem sido
transmitido entre pessoas do México, Estados Unidos, Canadá, Reino
Unido e Espanha. Esperamos que o H1N1 se espalhe para outros países.
Trata-se de um vírus novo e, por isso, a maior parte da população
mundial não possui imunidade. Ainda que o subtipo do H1N1 seja o
mesmo do influenza sazonal (subtipo russo), sua antigenicidade é bem
diferente.
O que torna esse microorganismo
imprevisível? O H1N1 é um híbrido com quatro vírus
diferentes. Apesar de a principal antigenicidade ser similar à dos
clássicos vírus da gripe suína, a natureza de replicação e outras
características são diferentes em algum aspecto. Provavelmente será
difícil en contrar pacientes com este vírus em influenza sazonal.
De que modo o H1N1 surgiu? Uma combinação
particular de segmentos do gene viral ou alguma específica mutação
deve ter ocorrido entre os porcos em algum lugar. O vírus H1N1 está
em constante mutação.
De que maneira as pessoas podem se
proteger? Sem imunidade efetiva, a infecção se torna
inevitável. De qualquer modo, a maior parte dos pacientes permanece
com sintomas moderados, como os da gripe comum. A s drogas Relanza e
Tamiflu são eficientes. O tratamento com elas será de grande valia.
Precauções pessoais e higiene, como evitar viagens desnecessárias,
lavar as mãos e usar máscaras serão necessárias. (RC)
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