visão DO cORREIO
Prevenir é o caminho

Dilma Rousseff, ao anunciar em entrevista coletiva que sofria de câncer linfático, transmitiu mensagem de grande utilidade para os brasileiros. Frisou a importância dos exames preventivos. Mesmo sem apresentar sintoma, a ministra manteve os check-ups de rotina. Deu oportunidade aos médicos de descobrirem a doença em estágio inicial. O tratamento, graças à insipiência da enfermidade, tem amplas possibilidades de êxito, segundo declarou equipe do Hospital Sírio-Libanês.

O realce da cautela não constitui novidade. A sabedoria popular cunhou provérbios largamente repetidos Brasil afora. “Prevenir”, diz um deles, “é melhor que remediar.” Governo, meios de comunicação e organizações não-governamentais volta e meia lançam campanhas para evitar a ocorrência deste ou daquele mal. São esforços pontuais que, por cultura, falta de continuidade ou de respostas da rede pública de saúde, nem sempre atingem os objetivos a que se propõem.

A convicção de que “co migo não acontece” — responsável por sobrecarga do equipamento hospitalar, comprometimentos da saúde e perdas de vida — não constitui marca de determinada classe social ou de nível de escolaridade. É crença disseminada nas cinco regiões, independentemente de origem, profissão, status ou conta bancária. Por causa da displicência, proliferam casos de câncer de mama, câncer de útero, câncer de próstata, carcinoma basocelular, portadores de HIV. Em fase avançada, além do tratamento doloroso, diminu em a sobrevida dos pacientes.

Impõem-se mudanças no comportamento dos brasileiros. A tarefa não é fácil. Durante o processo, dão-se dois passos para a frente e um para trás. Os avanços só serão visíveis a médio e longo prazo. Serão fruto de educação escolar, movimentos de organizações não-governamentais, ações da igreja, da mídia, de clubes sociais e de serviço. Campanhas educativas, semelhantes às levadas avante no combate ao sarampo, à varíola e à paralisia infantil, devem ser progr amas de Estado, não de governo. A saúde da população precisa ser prioridade seja qual for o partido que eventualmente detém o poder.

Trata-se de decisão política. A experiência do Brasil em campanhas educativas serve de modelo para a Organização Mundial da Saúde. Mesmo com o território continental, regiões de difícil acesso, parte da população com baixa escolaridade, o país conseguiu erradicar enfermidades crônicas. Entre elas, a poliomielite. Além da mobilização, é importante oferecer condições na infraestrutura hospitalar. Quem busca a rede pública para fazer os exames preventivos deve encontrar resposta imediata. Longas esperas frustram as expectativas e causam desânimo.