
ACIDENTE
DOMÉSTICO
Perigo dentro de casa
Ingestão de objetos, quedas e queimaduras estão entre as principais
causas de mortes de crianças em residências. No último domingo, um menino de 1
ano morreu ao engolir pedaços de plástico. Descuido dos responsáveis costuma ser
o motivo das tragédias
Leilane Menezes
| Cadu Gomes/CB/D.A Press |
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A professora Fátima, com os três filhos: todas as
precauções possíveis
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Acidentes domésticos são a causa de 77% das 7 mil mortes anuais
decorrentes de causas externas (acidentes e violência) de crianças de 0 a 14
anos no país, de acordo com o Ministério da Saúde. Casos de meninos e meninas
que perderam a vida em casa não são raros (Ler memória) no Distrito Federal. No
domingo último, Vitor Hugo Abreu, 1 ano, morreu depois de engolir pedaços de
plástico. Ele chegou a ser levado por familiares ao quartel do Corpo de
Bombeiros localizado próxi mo à Barragem do Rio Descoberto, na BR-070. De lá, a
criança seguiu ainda com vida para o Hospital Regional da Ceilândia (HRC), mas
não resistiu.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a ingestão de objetos
está entre os principais registros de atendimento infantil, ao lado de
envenenamentos e quedas que geram traumatismos. São pelo menos 2 mil entradas
por ano em hospitais do DF em decorrência desse problema, mas nem todas evoluem
para a morte. As queimaduras, no entanto, lideram o ranki ng de internações. São
72 casos mensais de queimados de 0 a 17 anos somente no Hospital Regional da Asa
Norte (Hran), referência nesse tipo de atendimento. Desses, por volta de 15
precisam de internação.
Um levantamento do Ministério da Saúde feito em 84 unidades de
emergência de 37 cidades, no ano passa do — entre elas os hospitais públicos do
DF —, mostrou que a principal causa das queimaduras são os líquidos e os
alimentos quentes. Dos 1.040 atendimentos de emergência por queimaduras em todo
o Brasil, a maioria, 285 (27,4%), foi em crianças de 0 a 9 anos. E, dentro dessa
faixa etária, 91,6% (261 crianças) das queimaduras ocorreram dentro da
residência das vítimas. O estudo faz parte do sistema de Vigilância de
Violências e Acidentes (Viva).
O médico Mário Frattini, chefe do núcleo
d e queimados do Hran, esclarece que 90% desses casos poderiam ter sido
evitados. “Quase sempre o acidente ocorre por descuido de alguém. Os pais deixam
a criança sozinha em casa e ela tenta fazer sua comida ou esquentar. Elas não
têm estrutura física nem maturidade para arcar com isso. Adultos devem evitar a
entrada de crianças na cozinha e a imperícia na hora de acender churrasqueira,
por exemplo”, ensina o médico. “Mas a melhor dica é sempre ficar de olho”,
acrescentou. Frattini ressalta os ri scos de se queimar com eletricidade. “É
preciso proteger as tomadas. Todos nós temos agentes de queimadura em casa e o
fogo fascina as crianças. Os armários com produtos químicos e de limpeza devem
ficar sempre trancados. São algumas dicas que podem ajudar a prevenir”, ensinou.
Para evitar o pior, a professora Fátima Felippo, 35 anos, mãe de
Beatriz, 8 anos, Júlia, 7, e Sérgio, 4, é precavida. “A gente sempre coloca os
produtos de limpeza no alto e os remédios bem guardados. As tomadas ficam sempre
tampadas. E como aqui em casa tem piscina, os três fizeram natação. A escada
também me preocupava muito. Por isso, o diálogo é importante. Converso com eles
e explico os cuidados necessários, até porque é impossível ficar de olho 24
horas. Eles também precisam saber se cuidar”, explicou Fátima.
A falta
desse cuidado deixou cicatrizes em Juan, 10 anos. Ele se queimou quando o irmão
mais velho, de 15 anos, tentava acender o fogo de uma churrasqueira com álcool.
“O maior jog ou álcool achando que a brasa estava apagada, mas ele se enganou. O
Juan ficou queimado no rosto e no tórax, com queimaduras de 2º e 3º grau. Depois
disso, ele nunca mais passou de ano e sofreu muito, principalmente na escola.
Tive que colocá-lo em colégio particular para ver se melhorava. Sofremos muito”,
relatou a mãe de Juan, a cabeleireira Devadina Rodrigues, 39 anos.
Memória
Acidentes com
crianças
27 de janeiro de 2010
Ana Letícia Morais Barreto, 5 anos,
morreu depois de se enforcar em uma rede, em Santa Maria, Quadra 316. Segundo
familiares, a menina brincava com uma prima na rede. Elas subiam ali e depois
pulavam em um sofá. Durante a brincadeira, Ana Letícia enrolou a rede no pescoço
e saltou.
24 de novembro de 2009
Thais Setel Goiabeira, 1 ano
e 4 meses, morreu asfixiada, no bairro Imigrantes, em Planaltina de Goiás (GO),
distan te 52km de Brasília. Ela subiu no sofá da sala enquanto um primo de 6
anos jogava videogame, segurou-se na grade da janela e colocou a cabeça para
fora. Porém, o pé de Thais escorregou no forro do móvel e ela ficou presa pelo
pescoço.
Alerta
Confira quais são os acidentes mais frequentes em cada faixa
etária:
0 a 1 ano
quedas (trocador, cama, colo), asfixia,
sufocação, aspiração de corpos estranhos, intoxicações e queimaduras (água
quente, cigarro).
2 a 4 anos
quedas, asfixia, sufocação,
afogamentos, intoxicações, choques elétricos e traumas.
5 a 9
anos
quedas, atropelamentos, queimaduras, afogamentos, choques
elétricos, intoxicações, trauma s.
10 a 19 anos
quedas,
atropelamentos, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumas.
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria.