
Apesar de se familiarizarem bem
cedo com pênis e testículos, os homens deixam muito a desejar quando o assunto é
atenção à saúde. O que poucos sabem é que, assim como o autoexame da mama,
existe o autoexame de testículos, fundamental para a detecção de nódulos e
tumores em estágio inicial.
Os médicos recomendam que, todos os meses,
após um banho quente — que relaxa a bolsa escrotal e facilita a observação de
anomalias —, o homem, de pé em frente ao espelho, verifique se houve aumento,
redução ou enrijecimento dos testículos, além de checar se há sensação de peso,
dor ou desconforto na bolsa escrotal.
“Além do autoexame, aconselho os
homens a se consultarem periodicamente com um médico”, afirma o urologista
Rogério Vitiver. Segundo ele, assim será possível detectar anormalidades e
encaminhar o paciente a um oncologista, se necessário. “É importante saber que o
câncer de testículo é agressivo, mas tem elevados índices de cura quando
diagnosticado precocemente”, complementa o oncologista Murilo Buso.
O
tumor de testículo acomete 5% da população masculina e — mais importante — não é
um mal típico da maturidade, atingindo os mais jovens, na faixa dos 15 aos 35
anos. Se os testículos não desceram para a bolsa escrotal na infância
(criptorquidia), ou se houve ocorrência de hérnia inguinal, a probabilidade é
aumentada entre 5% e 20%.
Palavra do especialista
Como é o tratamento para câncer de testículos?
Quando a
doença é diagnosticada, o procedimento é a retirada do testículo. Na maioria dos
casos, a cirurgia elimina o tumor. Porém, se o tumor estiver em estágio avançado
ou com risco de se espalhar para outros órgãos, o tratamento posterior inclui
quimioterapia e radioterapia.
O homem fica impotente? Infértil?
Este é um dos mitos que prejudica o tratamento precoce. Como ocorre a
retirada apenas do testículo afetado, com a preservação do outro, a terapia não
afeta a função sexual ou reprodutiva do paciente. Depois da cirurgia, pode
ocorrer temporariamente a baixa produção de espermatozoides e a impotência, mas
por período curto. Depois, a função sexual volta à normalidade.
E
quando há necessidade de quimioterapia?
O aconselhável é a coleta e
congelamento de sêmen, pois a quimioterapia pode afetar a produção de esperma.
Esse cuidado é adotado para o tratamento quimioterápico de qualquer tipo de
câncer em homens, seja ele de testículo ou, por exemplo, de pulmão.
Murilo Buso é oncologista e chefe do
Serviço de Oncologia
do Hospital Universitário de Brasília (HUB)