Saúde
À espera de tratamento

O uso de medicamento revolucionário no combate à asma é aguardado por sete brasilienses, que ganharam na Justiça o direito de recebê-lo gratuitamente. O remédio só pode ser aplicado em ambiente hospitalar

  • MARIA VITÓRIA


    Sete brasilienses, todos com asma, ganharam na Justiça o direito de receber gratuitamente o tratamento com o remédio Omalizumabe. O medicamento, que custa cerca de R$ 2 mil cada ampola, é indicado para pessoas que sofrem de asma grave e sem controle. Eles ganharam as ações, em 2008 e 2009, m as ainda não receberam nenhuma dosagem do remédio. “Está tudo pronto, com um ambulatório próprio para atender esses pacientes no Hospital de Base, mas ainda precisamos treinar a equipe de enfermagem”, afirma a médica Marta Guidacci, coordenadora do Programa de Atendimento ao Paciente Asmático da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

    O uso do Omalizumabe exige uma atenção especial ao paciente. O medicamento injetável só deve ser aplicado em um ambulatório hospitalar, com acompanhame nto de médico e enfermeiro. “O remédio tem proteína em sua fórmula, que pode causar reações alérgicas em algumas pessoas”, explica a pneumologista Iracema Sanders. Em seguida, o paciente fica cerca de quatro horas em observação. Depois dessa fase, é liberado para ir para casa.



    Palavra do especialista

    Qualquer paciente com asma grave pode receber doses de Omalizumabe?
    Não. Segundo o protocolo da Secretaria de Saúde, serão excluídos pacientes que se enquadram em uma das seguintes situações: fumante, com doença pulmonar obstrutiva crônica, refluxo gastroesofágico e rinite sem tratamento, aspergilose broncopulmonar, apneia obstrutiva do sono e retardo mental ou doença psiquiátrica grave. Pessoas que não respondem ao tratamento também não farão parte do progra ma.

    O medicamento é indicado para outros tipos de alergia?
    Não. Ele é preconizado apenas para os casos de asma grave de difícil controle.
    Não apresenta bons resultados para quem tem asma leve
    ou moderada. Há estudos que avaliam a indicação para pessoas com urticária grave e dermatite atópica, por exemplo, mas ainda
    sem conclusão.



    Marta Guidacci é alergista e coordenadora do Programa de Atendimento
    ao Paciente Asmático
    da Secretaria de Saúde do Distrito Federal