
A secretária Tatiana
Valente, 30 anos, realiza hoje, bem cedo, por volta das 6h, um grande sonho.
Depois de cerca de 15 anos, ela fará uma cirurgia para se livrar das dores na
face e da dificuldade de mastigar. Chiclete, por exemplo, é uma palavra que não
consta do dicionário da vida dela. Hábitos saborosos, como morder uma maçã ou
mesmo dar um beijo, transformam-se em atitudes dolorosas.
Tatiana vai
ser operada depois de percorrer por vários anos os corredores dos serviços de
cirurgia bucomaxilar do Hospital de Base (HBDF) e do Hospital Universitário de
Brasília (HUB). “A rede de saúde pública considera o meu caso grave, mas o
encara como uma cirurgia eletiva, ou os cirurgiões alegam que não há material”,
conta. A funcionária do Banco Central tentou realizar a cirurgia pelo plano de
saúde, mas o tratamento não foi aprovado. “A operação custa cerca de R$ 25 mil.
Não tenho esse dinheiro”, diz a moça, que tem uma filha de 6 anos e mora com os
pais na Asa Norte.
A sorte dela mudou com a confirmação da vinda à
Brasília do cirurgião bucomaxilar americano Larry Wolford, criador de uma
técnica de cirurgia ortognática que substitui o disco responsável pela ligação
dos ossos da mandíbula e do maxilar com o crânio. Ele está na cidade participando do Primeiro Simpósio Internacional de Cirurgia Ortognática do
Distrito Federal e hoje, às 7h, entra no centro cirúrgico do Hospital Brasília
para corrigir o desvio da maxila e da mandíbula de Tatiana. A operação será
transmitida para dezenas de dentistas e médicos que estarão no auditório do
hospital.
Tatiana e Wolford encontraram-se apenas uma vez, no domingo,
em um consultório odontológico no Centro Clínico Via Brasil, na Asa Sul. Na
ocasião, o dentista americano verificou os exames feitos por ela, mediu a arcada
dentária e a arcada craniana da moça e explicou como será a cirurgia. “Estou
confiante”, afirma Tatiana.
Os exames pré-operatórios são de tecnologia
avançada e foram feitos pelo cirurgião bucomaxilar Rogério Zambonato,
ex-residente da clínica de Wolford, nos Estados Unidos. Segundo ele, a técnica
empregada foi a de um moderno software chamado Dolphin 3D. O aparelho visualiza
de forma tridimensional os tecidos ósseos, os dentes, os tecidos mole s da face
e, principalmente, as vias aéreas. Tem a capacidade de realizar simulações de
tratamentos cirúrgicos, apresentando perspectivas faciais laterais, além de
mostrar o volume do espaço entre as vias aéreas superiores e inferiores. “Usamos
o programa para complementar o diagnóstico e proporcionar maior entendimento ao
paciente sobre as alterações presentes e as possíveis alternativas de
tratamento”, esclarece Zambonato.