
O drama de Adriano ganha visibilidade graças à
posição que ocupa no esporte mundial. Ídolo do futebol, o Imperador tem
protagonizado tristes episódios de violência. A mais recente ocorreu na Favela
Vila Cruzeiro, no Rio. Briga com a namorada tornou-se caso de polícia. Ao voltar
ao Flamengo depois de 11 dias de falta aos treinos, confessou à presidenta
Patrícia Amorim que precisava de ajuda. A razão: dependência de álcool.
Não é de hoje que se chama a atenção pa ra os riscos do álcool. A droga
é combustível para a violência. Apesar do perigo que representa, porém, é
socialmente aceita. Em família, não há mal em abusar de vinho, cerveja, vodca ou
cachaça. É comum pais permitirem que filhos “provem” a bebida. A publicidade
recorre a astros e estrelas da televisão, da música ou do esporte para divulgar
as vantagens de beber. O glamour e o sucesso são a tônica. Advertência para
consumir com moderação tropeça na subjetividade. O significado do substantivo p
ara uns não é o mesmo para outros.
O alcoolismo, apontado pelo
Ministério da Saúde como um dos principais responsáveis pelos óbitos decorrentes
de doenças do aparelho circulatório, associa-se a histórias de violência. O
trânsito serve de exemplo. Tragédias do asfalto se devem muito mais a falhas
humanas que mecânicas. Buraco nas estradas, má sinalização, falta de
acostamentos são menos culpados do que se alardeia. A questão é mundial. Nos
Estados Unidos e em países da União Europeia, cerca de 40% dos acidentes
envolvem alguém alcoolizado — pedestre ou motorista. Nos fins de semana, o
índice dispara.
No Brasil faltam pesquisas definitivas. Mas estima-se
percentual semelhante. Associar álcool e direção acarreta três problemas. Um
deles: o motorista perde o reflexo. Reagir tardiamente aumenta o risco de
acidente. A 60km, a demora de um segundo permite que o carro ande 17m. Outro: a
pessoa muda o comportamento. Sobretudo negligencia perigos. Atenção e limite de
velocid ade perdem importância. O último mas não menos importante: o bêbado tem
menos chance de sobrevivência — ou porque o organismo reage mal aos
medicamentos, ou porque o indivíduo relaxa no papel de autoajuda.
A
violência familiar, como prova Adriano, tem também estreita relação com o
álcool. Pesquisas provam que agressões ocorrem três vezes mais em casas onde a
bebida está presente. Em 83% das ocorrências registradas, a bebida é o principal
motivo da barbárie porque rebaixa a crítica e au menta a agressividade. Impõe-se
esclarecer a população para o perigo da droga social. Campanhas de
esclarecimento devem ganhar espaço crescente na mídia. Escolas, igrejas, clubes
sociais e de serviços precisam empenhar-se na luta contra a banalização do mal
que destrói famílias e ceifa vidas.