Brasília tem dois suspeitos

Criança é internada no Hran após mãe notificar gripe durante voo. Um homem recebe tratamento no hospital

Viviane Vaz

Breno Fortes/CB/D.A Press
A estudante Viliane com a filha, Ana Hilda, de um ano e sete meses, na porta do Hran: depois do aviso sonoro no avião, comandante foi acionado e família encaminhada ao hospital
 
Brasília entrou na rota do combate direto à ameaça da gripe suína. Ontem a Secretaria de Saúde do Distrito Federal indicou que há dois casos suspeitos e um em monitoramento. A estudante Viliane da Silva Aguiar, 24 anos, vivia havia dois anos e meio em Barcelona, Espanha, e resolveu voltar ao Brasil para visitar os pais em Rondônia, trazendo a filha, Ana Hilda, de um ano e sete meses. A menina teve febre e catarro cinco dias atrás, segundo a mãe. Durante o voo da TAM de São Paulo para Rondônia, com escala em Brasília, Viliane escutou um aviso sonoro. Com medo de problemas, achou melhor comunicar que a filha tinha ficado gripada. Até ontem a Espanha contabilizava 40 infecções pelo vírus H1N1. O segundo caso suspeito é de um homem internado no Hran desde a manhã de ontem (leia mais ao lado).

Assim que chegaram ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, na manhã de ontem, Viliane e a filha foram levadas por funcionários da Agência Nacional de Vigilânci a Sanitária (Anvisa) ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), centro de referência para tratar suspeitas de gripe suína na capital. “Eu não deveria ter saído da Espanha”, disse a mãe, arrependida. Ela contou que os médicos colheram sangue dela e da filha para exames. Também pretendiam interná-las por 10 dias. “Eu não quero ser internada aqui, porque quero ir embora para Rondônia. Não é justo comigo e com minha família”, revelou ao Correio, destacando que não se importaria caso a internação fos se perto de casa. De acordo com Viliane, a Anvisa tinha proibido a empresa aérea de deixar que ela embarcasse no próximo voo para Rondônia, na noite de ontem.

O gerente-geral de portos e aeroportos da Anvisa, Paulo Coury, explicou à reportagem que a criança está sob cuidado do Estado. “Na realidade não houve recusa da mãe em momento algum, foi só a falta de compreensão com a questão da saúde pública. Mas agora está tudo resolvido, a criança já está internada e a mãe vai ficar no isolam ento junto com ela”, afirmou Paulo. Questionado se o Estado pode intervir, caso o suposto doente com gripe suína se recuse a participar de exames, o funcionário respondeu: “Em nome da saúde, o Estado pode fazer uma porção de coisas, mas isso até agora não foi necessário”.

Paulo também reconheceu que Viliane “está altamente ansiosa para chegar ao seu destino final”. Segundo ele, será necessário um prazo entre 24 e 48 horas para um exame diagnosticar a causa do mal-estar da criança. Já a subsecretária de Atenção à Saúde do DF, Disney Antezana, disse ao Correio que “a partir do momento em que o exame chega ao Instituto Adolfo Lutz, 72 horas é o prazo que foi dado”.

No caso de pessoas com suspeita de gripe suína cujo destino não for Brasília, e que prefiram ser internadas em hospitais próximos aos familiares, Disney explicou que a análise será individual. “Nós lidamos com essa situação, Brasília é um ponto onde os aviões fazem escala e que eventualmente as pessoas vão parar aqui. A Anvisa vai detectar (as suspeitas), junto com a Infraero. A Secretaria de Saúde tentará dar a resposta mais correta a esse casos”, esclareceu.

Sem máscara
Procurada pela reportagem, a TAM informou que desconhece o fato de que algum passageiro com os sintomas da doença tenha sido transportado pela empresa ontem, de São Paulo para Brasília, ou em qualquer outra rota nacional. Viliane viajou de São Paulo a Brasília sem utilizar máscara. “Foi a bordo do avião que ela sentiu isto e não temos máscaras disponíveis para todos os voos domésticos”, esclareceu Paulo. Ele disse que por enquanto a máscara é usada em voos provenientes do México e alguns dos Estados Unidos. “Nao existe ainda a informação de outros voos que tenham a necessidade de máscara.”

O funcionário da Anvisa explicou como é feito o procedimento nos aeroportos. “Existe um informe sonoro dentro do avião, pedindo para que alguma pessoa vinda de áreas afetadas, com sintomas de febre alt a e tosse, se identifique ao comandante. O piloto passa a informação para a torre de controle e isso alerta todo um processo de fiscalização mais acurada”, disse Paulo. Ele contou que a Anvisa está intensificando a fiscalização e a entrega de informações na porta da aeronave assim que ele encosta na plataforma de embarque (finger). E lembrou que o informe sonoro é dado nos voos internacionais e domésticos para que as pessoas se identifiquem e a saúde pública tome as providências.

C olaborou Rodrigo Couto


Paciente não identificado

Viviane Vaz e Helena Mader

A subsecretária de Atenção à Saúde do Distrito Federal, Disney Antezana, não quis dar detalhes sobre os casos suspeitos confirmados ontem na capital. “O que posso dizer é que eles preenchem os critérios do Ministério da Saúde”, informou. Além da menina que chegou da Espanha com a mãe, depois de escala em São Paulo, está internado no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) um paciente identificado apenas como um homem, morador do DF, que, pelo quadro apresentado, foi subme tido a exames e tratamento. Apenas esse caso consta do balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no início da tarde.

A Secretaria de Saúde do DF divulgou uma nota com orientações sobre como os profissionais da área devem lidar com os casos definidos como suspeitos. É obrigatório higienizar as mãos antes e depois do atendimento, usar máscaras, luvas e avental. Nos casos em que não seja necessária a internação, os médicos são orientados a coletar material da região nasal, oferecer medi camentos específicos até 48 horas depois do início dos sintomas e encaminhar o paciente para casa, com orientação de proteção individual e coletiva. Os médicos são obrigados a notificar a Vigilância Epidemiológica sobre qualquer caso suspeito.

A falta de informações e o medo da gripe suína levaram brasilienses à rede pública de saúde em busca de exames e consultas. A dona de casa Maria Ângela Oliveira, 50 anos, foi ao Hran à tarde e pediu à equipe médica para fazer exames que descarta ssem a possibilidade de ter o vírus H1N1. Ela desconfiava de uma possível infecção porque, na semana passada, assistiu a partidas do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, na Esplanada dos Ministérios. “Havia jogadores e espectadores do mundo inteiro. Como estou com muita dor no corpo e coriza, tenho medo de estar com a gripe suína”, disse a dona de casa.

Outra mulher, de 37 anos, que não quis se identificar, também se submeteu aos testes pelo mesmo motivo . “Decidi vir porque estou grip ada e passei pelo Circuito de Vôlei”, justificou. As duas foram submetidas a testes e ouviram dos médicos que a possibilidade de terem a doença é mínima, já que não há casos confirmados no Brasil.