11 suspeitos no Brasil
Segundo o Ministério da Saúde, nenhum dos pacientes têm
todos os sintomas. Aeroportos entram em alerta
Ullisses Campbell, Ingrid Furtado e Júnia
Oliveira
| Cristina Horta/EM/D.A
Press |
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Funcionário do Hospital das clínicas
da Universidade Federal de Minas Gerais usa máscara:
cautela
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| Zuleika de Souza/CB/D.A Press -
25/5/07 |
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Promotor Diaulas Ribeiro: “nunca
pensei que passaria por isso”
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| | Vem principalmente da região Sudeste do Brasil o alerta
de que o país pode não estar imune à gripe suína. O Ministério da
Saúde monitora 11 pessoas que procuraram serviços de referência com
suspeita de contaminação pela doença. De acordo com nota divulgada à
imprensa, nenhuma dessas pessoas preenche a definição de caso
suspeito. Mesmo assim, elas continuam acompanhadas pelas secretarias
estaduais de Saúde. Três dos viajantes são de Minas, dois do Rio,
dois do Amazonas, dois do Rio Grande do Norte, um de São Paulo e
outro, do Pará.
Em Minas, as três pessoas estão isoladas no
Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Ainda
hoje, deve ser divulgado o resultado dos exames de material colhido
de um casal recém-chegado do México e de um homem que voltou
recentemente dos Estados Unidos. Em São Paulo, um homem que esteve
na Cidade do México há 10 dias foi isolado por infectologistas do
Hospital Emílio Ribas depois de apresentar gripe intens a, dores nas
articulações e febre baixa. Ontem no início da tarde, uma mulher foi
liberada depois de observada pelos médicos. Segundo um boletim, ela
teria dengue ou sinusite.
O governo mineiro optou pela
precaução. A Secretaria de Estado de Saúde do estado mobilizou uma
força-tarefa e elabora uma lista de hospitais de referência no
estado para receber possíveis pacientes com sintomas ou mesmo com a
enfermidade. Já a secretaria paulista descarta a possibilidade da
doença com aval do Mi nistério da Saúde, que, em nota, informou que
o paciente não tem a gripe suína. Porém o governador José Serra, que
já foi ministro da Saúde, afirmou que é possível a gripe suína
chegar ao Brasil. “Tudo pode acontecer, mas até agora a situação
está sob controle. Não é impossível ter vindo alguém para cá. O
importante é a gente saber logo, porque a maneira de parar é saber
quem está com o problema”, destacou.
Sub-secretário de
Vigilância em Saúde em Minas Gerais, o médico Luiz Felipe Ca ram
explica que a gripe suína assusta as autoridades sanitárias
justamente pelo fato de o vírus ser proveniente de uma alteração
genética. “É um microorganismo desconhecido, que está circulando com
uma velocidade muito grande. Por essa razão, toda a população
mundial está suscetível a ele. Além disso, atinge pessoas com idades
variadas. Cientistas estrangeiros estudam o motivo da letalidade do
vírus, mas ainda não sabemos a estrutura dele ”, diz.
Medo no saguão Desde ontem, os principais
aeroportos do país estão em alerta. Mas em Guarulhos (SP), os
passageiros dos primeiros voos vindos do México, a maioria
brasileira, reclamaram que não havia funcionários da Angência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar orientações sobre
a gripe suína. “No avião, só se falava nessa doença. As pessoas que
estavam sentadas ao meu lado usavam máscaras e não sabíamos se
corríamos riscos”, reclamou a bancária Fernanda Rocha, 33 anos. Ela
desembarcou com duas filhas e um s obrinho de uma viagem de férias.
No saguão de desembarque, uma família de mexicanos chegou ao
aeroporto por volta de 12h30 usando máscaras. Os parentes
brasileiros que os aguardavam evitaram abraçá-los. “Nós conversamos
com eles pelo telefone e recebemos a orientação para não ter contato
até junho”, justificou o publicitário Rogério Becker, 29.
Em
entrevista coletiva concedida ontem, o presidente da Associação
Brasileira das Agências de Viagens em São Paulo, Edmar Bull, disse
que as agências de viagens que fazem o trajeto São Paulo—México já
registram cancelamento de cerca de 30% na emissão de passagens
aéreas e pacotes turísticos. “Está todo mundo com receio. Estamos
com algumas alterações e cancelamentos. Vacina não existe. Então,
não temos como orientar o turista a ir ou não ir”, disse. |
Lula: “Que não chegue nunca”
Lívia Gomes
| Carlos Moura/CB/D.A Press -
3/3/09 |
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Na Turquia, Temporão volta hoje ao
Brasil para acompanhar caso
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| | Inquietação, mas com cautela. Eis a postura adotada pelo
governo brasileiro com relação à possibilidade de chegada da gripe
suína ao país. O recado foi dado pelo diretor-geral da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares, na
tarde de ontem. “Não é motivo para alarde, preocupação sim. A
população tem que ficar tranquila porque o governo está trabalhando
para evitar que esse vírus entre no Brasil”, avisou Agenor depois de
participar da reunião do Gabinete Permanente de Emergência.
Agenor criticou as autoridades sanitárias mexicanas pela
demora na divulgação dos casos da doença. Ele lembrou que, apesar de
os primeiros casos terem ocorrido em março, o México fez a
notificação na semana passada. “Somos orientados a não ocultar casos
graves. Isso não repercute apenas em um Estado, há reflexos gerais.
É preciso ter responsabilidade com a saúde do povo”, disse.
O Gabinete Permanente de Emergência, formado por técnicos
dos ministérios da Saúde e da Agricultura e da Anvisa, foi criado em
2006 por conta da gripe aviária e reunia-se mensalmente.
Há
um problema, no entanto. A imensa maioria dos 421 casos (257 mortes)
de gripe aviária — entre 2003 e 2009 — foi fruto do contato entre
pessoas com aves doentes. A nova epidemia é transmitida entre
humanos e, em tese, se propagaria mais rápida e facilmente.
Especialistas vão se encontrar diariamente para monitorar a
situação.
O ministro da Saúde, J osé Gomes Temporão, teve a
rotina alterada por conta da doença. Ele, que desde sábado está na
Turquia participando de um congresso de saúde coletiva, deve
antecipar o seu retorno ao Brasil. A volta estava prevista para o
domingo, mas foi remarcada para hoje. Temporão tem conversado por
telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso.
Lula afirmou ter sido informado pelo ministro que o Brasil, por
enquanto, não tem motivos para se preocupar. Ao contar sobre a
ligação, fazendo o sinal da cruz, o presidente afirmou: “Graças a
Deus, até agora, não chegou ao Brasil. Eu espero que não chegue
nunca”.
Para reforçar a “calmaria”, uma nota do Ministério
da Agricultura relatou os cuidados diante do risco da doença. “O
sistema de vigilância do serviço veterinário oficial está em
alerta.”
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Medo
de ser o próximo
Samanta Sallum
Um congresso internacional sobre direito, com 932
participantes do mundo inteiro, foi cancelado ontem pelo governo
mexicano por causa do surto da gripe suína. Entre os palestrantes do
evento, estava o promotor do Ministério Público do Distrito Federal
e Territórios, Diaulas Ribeiro. Da cidade de Mazatlán, ele contou ao
Correio, por telefone, que o clima de medo, presente na população,
tomou conta dele também. Diaulas chegou ao México, na sexta-feira
passada, para ficar até o próximo sábado. “Esse medo me traz à
cabeça dois livros: A peste, de Albert Camus, e Ensaio sobre a
Cegueira, de José Saramago. Nunca pensei que passaria por uma
situação como as descritas por esses autores. Mas é assim que me
sinto. Com o medo de ser o próximo”, descreve.
Diaulas conta
que estranhou ao chegar à Cidade do México na sexta-feira passada e
ver que o trânsito estava tranquilo, bem diferente do tradicional
caos das vias. Esta é a quinta vez que o promotor, também memb ro do
Conselho Nacional do Ministério Público, visita o país. Por isso,
conseguiu distinguir a diferença de cenário logo de cara, ainda sem
saber o que provocava aquela mudança.
Andou pelas ruas, se
deparou com as pessoas de máscara e num primeiro momento chegou a
resistir a usar uma. Só entendeu a gravidade da situação ao assistir
à televisão. “Todos usavam máscaras. Fui tomado pelo pânico e voltei
para o hotel. Fiquei trancado lá”, conta. Da capital, Diaulas
seguiu, após responder qu estionários e passar por inspeção médica
no aeroporto, para Mazatlán, no litoral. Era lá que ocorreria o
evento. No entanto, ontem pela manhã veio o aviso de cancelamento do
congresso “por ordens do governo”.
Cerco sanitário
Ele conta da dificuldade de conseguir uma máscara nas farmácias.
“Saí para comprar o Tamiflu, um antiviral que tem venda livre aqui.
Sabia que não poderia usá-lo se não tivesse contaminado. Mas, nessa
hora, a gente quer ter alguma arma de proteção. Não encontrei.
Estava esgotado, como estão esgotadas as máscaras. Acabei ganhando
uma do Exército, que distribuiu 6 milhões em um dia”, disse. Ele
tenta agora voltar para Brasília. Foi à agência de turismo para
antecipar as passagens e não teve sucesso. “Por enquanto, não
poderei sair. Devo aguardar novas decisões governamentais, que
sinalizam que só poderei me movimentar no país depois de maio. Falam
em cerco sanitário”, descreve.
Leia: a íntegra do depoimento de Diaulas no Blog da
Samanta
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